O estranho diário de uma senhora inglesa do século XIX
Não faz
muito tempo li uma resenha do livro “The private diary of a victorian lady – O
diário privado de uma senhora da era vitoriana” no London Review of books que aguçou minha curiosidade; adquiri o
livro, gostei do que li e resumo-o para meus leitores
O livro conta uma
verídica e inacreditável história ocorrida no século 19 na Inglaterra, cuja
personagem principal é a senhora Isabela Robinson e os principais coadjuvantes são o engenheiro Henry Robinson e o médico Edward
Lane, sendo que este último entrou na
história porque estava no lugar errado na hora errada.
Isabela (já era viúva,
31 anos de idade) casou-se com Henry, em 1844, na cidade de Londres e cinco
anos após mudaram-se para Edimburgo (Escócia), onde conheceram Lady Drysdale,
cuja filha (Mary), era casada com o médico Dr. Edward; como acontecia, com
frequência, na Inglaterra da era Vitoriana, algumas pessoas ricas, que era o
caso da Lady Drysdale, costumavam fazer
reuniões( chá das cinco) nas suas casas, quando se reuniam, a convite do
anfitrião (ã), uma variada gama de pessoas ligadas à cultura, como escritores,
intelectuais livre pensadores, artistas, atrizes para discutirem assuntos
culturais.
Foi em uma dessas
“soirées” que Isabela conheceu o Dr. Edward, quando conversaram animadamente
sobre assuntos os mais variados possíveis, desde enfoques sobre a solidão em
que ela vivia e discussões a respeito de poesia, literatura, especialmente
sobre Lord Byron e Goethe, música, política,
viagens em balões, descrença em Deus, universo e, até sobre medicina, como ela
escreveu no seu “Díario” ao voltar para a casa.
Por aquela época Isabela
percebeu que Henry casou-se com ela apenas pela herança que ela possuía e,
principalmente, passa a perceber que seus mundos são completamente distintos,
enquanto ela se interessava pela literatura, ele só pensava em negócios, que,
aliás, trazia-lhes enorme conforto material, pois possuíam outras casas em
outros locais da Inglaterra e na Itália, com cinco empregados domésticos,
verdadeiro luxo na época, tendo em vista que apenas 1,2% dos 10 milhões de
habitantes da Inglaterra em 1867 ganhava mais que 300 libras por ano e apenas
50 mil pessoas, que era o casa deles, ganhavam mais de 1.000.
Isabela era dez anos
mais velha que Dr. Edward e, segundo ela mesmo escreve no seu “Diário”, não era
uma moça bonita, no entanto isto não impediu que ela se apaixonasse por ele,
principalmente pela afinidade cultural que percebera; com o tempo estes seus
encontros deixaram de ser estritamente culturais e passaram para o idílio
definitivo, narrado por ela no “Diário” com riqueza de detalhes.
No ano de 1856 Isabela
teve que ser internada para se tratar de uma
difteria e nos momentos de delírio febril “entregou” o que guardava no
seu consciente, Henry que já estava desconfiado, vasculhou suas gavetas e
encontrou o “Diário”, onde ficava provada a sua infidelidade.
Incontinente
ele entrou com pedido de divórcio junto à Corte de divórcios e causas
matrimoniais; era muito difícil se conseguir o divorcio naquela época, o homem
deveria provar adultério da esposa, e a mulher, além de adultério do marido, deveria provar que
teria recebido duas graves ofensas (agressão física, por exemplo); Henry alegou
que a esposa cometera adultério e como evidência apresentou o “Diário” de
Isabela.
No dia 14 de junho de
1858 a Corte se reuniu para julgar o caso, com grande presença de público e da
imprensa; o advogado de Henry solicita que seja aceito como evidência do
adultério, contrariando a tese da defesa, o “Diário” de Isabela ; após
discussões entre defesa e acusação, a Corte aceitou o “Diário” como peça do
processo; o Presidente da Corte pediu que as mulheres presentes no auditório se
retirassem porque haveria passagens no Diário não agradáveis para os ouvidos
das senhoras.
O advogado de Henry
passou a indicar algumas passagens (entradas) do “Diário” a serem lidas pelo
serventuário – Dia 7 de outubro de 1854, quando Isabela e Edward se beijaram
pela primeira vez e ( ...) 16/10, “Fomos
de carruagem para a estação e no caminho ele agarrou-me nos seus braços e
tivemos indecente e carinhosa intimidade” (...).
Várias testemunhas foram
invocadas por ambas as partes, inclusive o médico Edward que, aliás, negou, com
veemência, o adultério, porém, nenhuma delas acrescentou nada que pudesse
provar ou descartar os fatos registrados no “Diário”; como ultima cartada, a
defesa alegou “insanidade mental da ré”, afirmando que tudo o que ela escrevera
no “Diário” era invenção da sua mente doentia, carente de afeição matrimonial e
intoxicada pela sua leitura de ficções literárias.
Finalmente a Corte
concluiu pela absolvição de Isabela, por falta de provas concretas de adultério
e negou o divorcio.
Houve
grande cobertura da imprensa, com as devidas cautelas para não trazer detalhes
do “Diário” que pudessem provocar constrangimento para as famílias; o jornal Saturday Review, publicou um ensaio
sobre o livro Madame Bovary de
Flaubert, cuja heroína, pretensamente, foi o modelo seguido por Isabela.
Por incrível que possa
parecer, as mais famosas mulheres retratadas como adúlteras nas novelas
escritas no século 19 (Bovary-Flaubert; Anna Karenina-Tolstoi; Therése
Raquin-Zola), morreram por suas próprias mãos, Isabela teve um abscesso em um
dedo e morreu de septicemia em 1887, com 70 anos de idade.
1 Comentários:
Às 3 de março de 2022 às 07:20 ,
ibrahiemqualters disse...
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